Literatura LGBT: 5 livros nacionais que você precisa ler

Nos últimos anos tenho visto uma nova geração de escritores brasileiros surgir e escrever lindamente sobre o universo LGBT, o nosso universo. Escritores como Vitor Martins, Vinícius Grossos e Lucas Rocha têm colocado seus talentos à disposição e se juntado a veteranos para continuar narrando as nossas vidas em livros incríveis e marcantes. E nessa lista, eu indico cinco deles. Espero que leiam!

1 – QUINZE DIAS

Eu amo um escritor e ele se chama Vitor Martins. Eu o conheci por indicações de amigos e que delícia de escrita. Embora Quinze Dias seja pra um público muito mais jovem que eu, o protagonista da história ama livros, condena quem usa a própria foto como papel de parede do celular, tem asco de quem aperta ENTER toda hora no whatsapp, é gordo e gay. Ou seja, identificação imediata, claro! Durante as férias, Felipe é obrigado a dividir o seu quarto com o vizinho, por quem sempre alimentou uma paixão às escondidas. Entre angústias, vergonhas, descobertas e traumas, os dois se aproximam, se identificam e vivem uma história muito fofa de ler. Fico muito feliz em saber que autores como o Vitor Martins têm dado visibilidade ao amor entre iguais, falando sobre diversidade de um jeito tão leve. Uma honra lê-lo!

2 – VOCÊ TEM A VIDA INTEIRA

Você Tem a Vida Inteira, do Lucas Rocha, é mais um fruto lindo dessa nova geração literária brasileira. Mais um livro que aborda a causa LGBTQI+ e vai além: se propõe a dialogar sobre um assunto ainda tão tabu na sociedade, o HIV. A obra é sobre três jovens gays que entrelaçam suas vidas a partir dessa temática e escancara diversos conflitos internos, inseguranças e medos que muitos de nós temos quando o tema é esse. Com boa didática e personagens super reais, Lucas desenvolve uma narrativa que, ao mesmo tempo, cativa e ensina. 

Leitura rápida, atual e muito esclarecedora. Leia você e, se possível, presenteie alguém depois.

3 – ODARA

Odara é uma personagem furiosa, doce, triste e cativante. Uma travesti sofrendo para ser feliz. A história tem humor, mas a melancolia e a insatisfação predominam. Ganhei esse livro de presente de uma amiga e foi, pra mim, uma grata surpresa.

LEIA: LITERATURA LGBT – 5 LIVROS QUE ME FIZERAM MUITO BEM

4 – FEITOS DE SOL

Feitos de Sol é mais um livro gostosinho do Vinícius Grossos, escritor lindão da nova literatura brasileira que já conquistou meu coração. ⁣A história é do amor de Cícero e Vicente, recontada num grande flashback de 1999, com direito a todas as referências possíveis desse ano, da música ao Bug do Milênio.

Leitura leve e cheia daquelas memórias e sentimentos bons que a gente só sente quando se apaixona por alguém. Homossexualidade, religião e família são os temas que conduzem toda a história. ⁣Terminei apegado aos protagonistas e não dei nota 10, porque eu espero SINCERAMENTE que o Vinícius já esteja preparando a continuidade desse enredo, hein?!

5 – ALÉM DO CARNAVAL – A Homossexualidade Masculina no Brasil do Século XX

Sem dúvidas, até aqui, um dos melhores livros que já li sobre a homossexualidade brasileira. Além do Carnaval é sensacional: um resgate primoroso da homossexualidade masculina no Brasil do século XX e um mergulho lindo na nossa história, por meio de tantas vidas que existiram e lutaram antes de nós.⁣

Em vários momentos, James N. Green me fez chorar, ao abordar o preconceito generalizado, encabeçado pela justiça, medicina e Estado brasileiros, que os homossexuais sofreram durante tanto tempo – e que ainda ecoa nos nossos dias; me ensinou, ao revelar o universo cotidiano de pederastas, viados, bichas, bofes e travestis; e, por fim, me emocionou demais ao narrar vidas de gays e trans, como Madame Satã, Zazá, Ney Matogrosso e Rogéria, cujas vidas significaram, entre outras coisas, imensa transgressão e resistência.⁣

Mergulhe você também nesse registro da história gay brasileira, que, mesmo não sendo livro de um autor nacional, descreve com maestria todos aqueles que lutaram para nos deixar um mundo muito melhor pra se viver. 

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Entretenimento com diversidade: 8 dicas de conteúdos LGBT


No mês do Orgulho, eu compartilho com vocês algumas opções de diversão e entretenimento produzidas por pessoas gays, drags, trans, e que nos abrem o universo LGBT de um modo lúdico, engraçado, informativo, lindo e emocionante. Se você ainda não consumiu alguns desses conteúdos, a hora é agora!

1 – Literatura | O Fim do Armário

Bruno Bimbi é ativista e profundo conhecedor da história e da causa gay. Integrou a Federação LGBT que lutou pelo casamento igualitário na Argentina e é autor de O Fim do Armário. Topei com esse livro sem querer, procurando novidades na prateleira da livraria e trouxe pra casa. Belo acerto! Além de abordar camadas das nossas vidas de forma lúcida e didática, como as descobertas, o bullying, o próprio armário; Bimbi traz à tona aspectos políticos, narra como a homossexualidade é tratada em países do Oriente Médio, África, Europa e América; corrige conceitos e nos faz refletir sobre nosso papel nessa luta. Sim, é um livro empoderador (embora muitos rejeitem esse termo). Terminei bem feliz. A parte mais delicada é a que fala sobre as igrejas católica e evangélica, talvez você não goste do que vai ler lá! Mas é o que precisa ser dito e recomendo muitíssimo!

2 – Literatura | Garota Dinamarquesa

O livro é um recorte lindo e sensível da vida de uma mulher trans, que, ainda nos anos 20, enfrentou o medo, a falta de informação e o preconceito pra ser o que queria ser: Lili Elba. Inspirada em uma história real, a obra é maravilhosa, poética e poderosa. Pra mim, só peca nas partes demasiadamente descritivas, que quebram a narrativa, muitas vezes, apenas pra descrever o uniforme da atendente, por exemplo. Mas é lindo, curioso e arrebatador.

A Garota Dinamarquesa ganhou o prêmio Literário Lambda de 2000 na categoria de Ficção Transgênero e virou filme também.

3 – Literatura | Me Chame Pelo Seu Nome

‘É a primeira lembrança que tenho dele, e parece que ainda hoje consigo ouvi-lo. Até depois! Fecho os olhos e estou de volta à Itália, observando-o sair do táxi com uma camisa azul esvoaçante, óculos escuros, muita pele à mostra’. Esse livro do André Aciman me impactou demais. Nada mexia tanto comigo desde ‘Travessuras da Menina Má’ e ‘Precisamos Falar Sobre o Kevin’. Que história mais sensível, quente e incrível. Oliver e Elio, um descobrindo no corpo e na alma do outro todas as nuances de um amor potente, entre dois iguais, no interior da Itália. As sentimentalidades escondidas querendo explodir; as descobertas sexuais; os altos e baixos de um coração confuso; o amor tímido; os diálogos de dois apaixonados; a viagem para Roma; tudo isso fez de ‘Me Chame Pelo Seu Nome’ um dos livros mais lindos que já li. Está no meu Top 3, sem dúvida alguma. É uma obra delicada, mas sem ser clichê. Retrata lindamente o primeiro amor na vida de um gay: as dúvidas, os medos, as angústias, os sentimentos ditos nos gestos mais sutis, como o pé de um enterrado no pé do outro por baixo da mesa, absolutamente tudo, ilustração fiel do que um dia já vivemos ou ainda vamos viver. ‘Você vai me matar se parar’.

4 – Talent Show | Rupaul’s Drag Race

Confesso que demorei bastante até dar uma chance pra essa que é uma das disputas mais aclamadas pelos gays de todo o mundo. Mas depois que peguei gosto, já me peguei revendo todas as temporadas só pra matar a saudade dos lipsyncs (dublagens) que eu gosto. ❤ O reality consiste na disputa entre drags pelo título de próxima drag superstar da América. E em cada episódio, as competidoras participam de gincanas e provas onde são testadas suas habilidades em canto, dança, costura, talento, humor e personalidade. 

Em 11 temporadas, o programa não só abriu o universo drag para todos nós, como segue compartilhando histórias, acontecimentos, experiências, gírias, curiosidades, personagens, dificuldades e avanços de toda a comunidade LGBT mundo afora. Em meio à competição, a gente se familiariza com dores alheias, cria empatia, conhece aqueles que vieram antes da gente, entende muito mais nossas lutas e ainda se diverte! Não estranhe se você chorar e gargalhar no mesmo episódio, isso, não raro, acontece. 

5 – Série | Queer Eye

Disponível na Netflix, a nova versão da série Queer Eye reúne 5 gays talentosos (Fab Five), cada um na sua área, para organizar e transformar a vida de alguém. Em 3 temporadas, o time já conciliou relações, arrumou casas, reformou igrejas, aconselhou pessoas, renovou guarda-roupas e ajudou até gay a sair do armário. A cada episódio, diversos insights sobre moda, gastronomia, comportamento, cultura, design e cuidados pessoais. É mais um programa para se divertir, mas também se emocionar com lindas histórias de vida e seres humanos incríveis. 

6 – Série | Crônicas de San Francisco

A série, também disponível na Netflix, é baseada na obra literária de Armistead Maupin e traz para o protagonismo a comunidade LGBTQ que reside na pensão de Barbary Lane, espécie de porto seguro comandado pela transexual Anna Madrigal, em San Francisco. Seus episódios retratam lindamente histórias, romances, frustrações, intimidades e intrigas dos seus personagens e de forma super natural, passando longe de romantizações e caricaturas tão comuns em obras como esta. Sem generalizações, a trama aborda questões delicadas e discute diversos temas que envolvem pessoas queer. Uma das coisas que mais me agradaram na série foi o conflito de gerações, que ocorre sem, necessariamente, demonizar nenhuma das partes. O quarto episódio é um dos meus preferidos!

7 – Documentário | Revolta de Stonewall

Stonewall é um pub símbolo das primeiras lutas LGBT nos Estados Unidos. Numa época em que  a homossexualidade ainda era encarada como doença e os gays se escondiam em becos, ‘inferninhos’ e bares proibidos, Stonewall recebia toda essa gente marginalizada e, por isso, sofria constantes ataques e batidas da polícia de Nova York. Em junho de 1969, numa dessas abordagens, a comunidade ali presente, já cansada de sofrer repressões, resolveu reagir e encarar a polícia. A partir dali, aquelas pessoas compreenderam a força que tinham enquanto grupo e passaram a se organizar em encontros, manifestações e em outras lutas, que tempos depois desencadearam a Parada do Orgulho. 

Nesse doc, disponível no Youtube, há diversos testemunhos e relatos que ajudam a contar como tudo aconteceu. 

8 – Filme | Hoje eu Quero Voltar Sozinho

Filme brasileiro e super fofinho, que narra aquele amor juvenil que todos nós já tivemos um dia. Leonardo é um adolescente cego que encontra em Gabriel, seu novo colega de escola, a fonte de todas as suas descobertas amorosas e sexuais. Obra delicada, trilha ótima, narrativa gostosa, que fala sobre os medos, dilemas e sentimentos que permeiam a vida de muitos jovens gays e com as quais você vai se identificar com toda certeza. Filme pra ver e rever sempre!

 

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