O que aprendemos com Rupaul’s Drag Race e podemos aplicar em nossas redes sociais

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Rupaul’s Drag Race: a competição entre drag queens que é, há mais de uma década, sucesso mundial. Entre perucas, maquiagens, looks e shades, 9 lições que o programa nos dá sobre como criar e produzir conteúdos de uma forma única e memorável nas redes sociais.

Now sissy that walk. 👠

1 – Comece com o que tem!

Se hoje a competição de drag queens é um dos programas mais vistos na TV mundial, é porque lá atrás, Rupaul não se importou em começar com um cenário precário e filmagens duvidosas… Pelo contrário, acreditou no projeto e foi assim mesmo.

Se esse é o seu medo hoje, está perdendo tempo. Enquanto você espera o momento ideal, outras pessoas estão construindo suas histórias agora e com o que tem.

2 – “If you can’t love yourself, how in the hell you’re gonna love somebody else?”
“Se você não consegue se amar, como você vai conseguir amar outra pessoa?”

Pare de se comparar. Na Internet, tem espaço para todo mundo. E o seu, ninguém tira. Yvie Oddly, Bianca del Rio e Jinkx Monsoon, por exemplo, são drags com apelos diferentes, mas que venceram justamente porque eram únicas e tinham algo original para oferecer.

3 – Seja adaptável

Sei que você se planejou para entregar um conteúdo campeão nas redes, mas nem sempre as coisas acontecem como imaginamos. Nessas horas, é preciso reconhecer o fracasso e reagir a ele da melhor forma. Nada de entregar os pontos antes de tentar dar a volta por cima. 

Se é para lutar pela sua vida, liberte-se das máscaras e duble como uma campeã. 

4 – Tenha editorias consistentes

Já pensou RuPaul’s Drag Race sem musicais, lipsyncs, provas de costura e Snatch Game? Não seria a mesma coisa. Nas redes sociais, deixe sua marca e fidelize a audiência por meio de editorias criativas, consistentes e originais. Só assim, você será alguém relevante na web. 

5 – Seja surpreendente!

“Mas tudo já foi feito em lipsyncs”…

Se Sasha Velour pensasse dessa forma, ela não teria feito uma das performances mais icônicas do reality NA NONA TEMPORADA. Não é porque todo mundo já falou de moda, literatura ou veganismo na Internet, que você não pode encontrar um jeito único de falar também. 

Observe seu público, busque referências e crie de um jeito surpreendente.

6 – Posicione-se

Enquanto as drags se produzem para mais um desafio semanal, as conversas entre elas também servem para deixar à mostra, a cada programa, posicionamentos, valores e discursos que a comunidade, o reality e a própria Rupaul acreditam, tanto em relação à LGBTfobia, quanto a outros assuntos como política, machismo, racismo e xenofobia.

Não se esconda nas redes sociais. Assim como o público de Rupal’s Drag Race, seus seguidores também querem saber que causas você acredita e defende.

7 – Ouça os feedbacks

Michelle Visage, Carson Kressley e Ross Mathews não estão ali à toa. As críticas e dicas dos jurados são importantíssimas no desenvolvimento das drags durante o programa. Uma das finalistas (contém spoiler) da mais recente edição, Crystal Methyd, é um grande exemplo disso: ouviu os feedbacks e cresceu na competição.

Vulnerabilize-se você também! Esteja atento ao que sua audiência diz e disponível para sempre melhorar o conteúdo que você entrega nas redes. 

8 – Untucked…

… É uma derivação de Rupaul’s Drag Race que, a cada episódio, mostra os bastidores da competição, com fatos, diálogos e desdobramentos que, nem sempre, aparecem no programa e complementam a experiência do espectador. 

Na Internet, as pessoas também amam bastidores. É legal ver produtos, serviços e eventos prontos? Sim, mas é incrível também assistir processos e jornadas que fizeram parte da construção do seu trabalho. Mostre isso para as pessoas. Elas vão se sentir muito mais próximas de você e da sua marca.

9 – Sashay, away!
Para quem é hater e não valoriza o teu conteúdo.

Shantay, you stay!
Para os fãs, seguidores e amigos que vibram contigo. 

O que aprendemos com Sandy e Jr e podemos aplicar nas nossas redes sociais

Este post é dedicado aos fãs de Rupaul’s Drag Race.
Can I Get an Amen?

Veja aqui também: https://www.instagram.com/p/CDZiA7HBZmx/

Entretenimento com diversidade: 8 dicas de conteúdos LGBT


No mês do Orgulho, eu compartilho com vocês algumas opções de diversão e entretenimento produzidas por pessoas gays, drags, trans, e que nos abrem o universo LGBT de um modo lúdico, engraçado, informativo, lindo e emocionante. Se você ainda não consumiu alguns desses conteúdos, a hora é agora!

1 – Literatura | O Fim do Armário

Bruno Bimbi é ativista e profundo conhecedor da história e da causa gay. Integrou a Federação LGBT que lutou pelo casamento igualitário na Argentina e é autor de O Fim do Armário. Topei com esse livro sem querer, procurando novidades na prateleira da livraria e trouxe pra casa. Belo acerto! Além de abordar camadas das nossas vidas de forma lúcida e didática, como as descobertas, o bullying, o próprio armário; Bimbi traz à tona aspectos políticos, narra como a homossexualidade é tratada em países do Oriente Médio, África, Europa e América; corrige conceitos e nos faz refletir sobre nosso papel nessa luta. Sim, é um livro empoderador (embora muitos rejeitem esse termo). Terminei bem feliz. A parte mais delicada é a que fala sobre as igrejas católica e evangélica, talvez você não goste do que vai ler lá! Mas é o que precisa ser dito e recomendo muitíssimo!

2 – Literatura | Garota Dinamarquesa

O livro é um recorte lindo e sensível da vida de uma mulher trans, que, ainda nos anos 20, enfrentou o medo, a falta de informação e o preconceito pra ser o que queria ser: Lili Elba. Inspirada em uma história real, a obra é maravilhosa, poética e poderosa. Pra mim, só peca nas partes demasiadamente descritivas, que quebram a narrativa, muitas vezes, apenas pra descrever o uniforme da atendente, por exemplo. Mas é lindo, curioso e arrebatador.

A Garota Dinamarquesa ganhou o prêmio Literário Lambda de 2000 na categoria de Ficção Transgênero e virou filme também.

3 – Literatura | Me Chame Pelo Seu Nome

‘É a primeira lembrança que tenho dele, e parece que ainda hoje consigo ouvi-lo. Até depois! Fecho os olhos e estou de volta à Itália, observando-o sair do táxi com uma camisa azul esvoaçante, óculos escuros, muita pele à mostra’. Esse livro do André Aciman me impactou demais. Nada mexia tanto comigo desde ‘Travessuras da Menina Má’ e ‘Precisamos Falar Sobre o Kevin’. Que história mais sensível, quente e incrível. Oliver e Elio, um descobrindo no corpo e na alma do outro todas as nuances de um amor potente, entre dois iguais, no interior da Itália. As sentimentalidades escondidas querendo explodir; as descobertas sexuais; os altos e baixos de um coração confuso; o amor tímido; os diálogos de dois apaixonados; a viagem para Roma; tudo isso fez de ‘Me Chame Pelo Seu Nome’ um dos livros mais lindos que já li. Está no meu Top 3, sem dúvida alguma. É uma obra delicada, mas sem ser clichê. Retrata lindamente o primeiro amor na vida de um gay: as dúvidas, os medos, as angústias, os sentimentos ditos nos gestos mais sutis, como o pé de um enterrado no pé do outro por baixo da mesa, absolutamente tudo, ilustração fiel do que um dia já vivemos ou ainda vamos viver. ‘Você vai me matar se parar’.

4 – Talent Show | Rupaul’s Drag Race

Confesso que demorei bastante até dar uma chance pra essa que é uma das disputas mais aclamadas pelos gays de todo o mundo. Mas depois que peguei gosto, já me peguei revendo todas as temporadas só pra matar a saudade dos lipsyncs (dublagens) que eu gosto. ❤ O reality consiste na disputa entre drags pelo título de próxima drag superstar da América. E em cada episódio, as competidoras participam de gincanas e provas onde são testadas suas habilidades em canto, dança, costura, talento, humor e personalidade. 

Em 11 temporadas, o programa não só abriu o universo drag para todos nós, como segue compartilhando histórias, acontecimentos, experiências, gírias, curiosidades, personagens, dificuldades e avanços de toda a comunidade LGBT mundo afora. Em meio à competição, a gente se familiariza com dores alheias, cria empatia, conhece aqueles que vieram antes da gente, entende muito mais nossas lutas e ainda se diverte! Não estranhe se você chorar e gargalhar no mesmo episódio, isso, não raro, acontece. 

5 – Série | Queer Eye

Disponível na Netflix, a nova versão da série Queer Eye reúne 5 gays talentosos (Fab Five), cada um na sua área, para organizar e transformar a vida de alguém. Em 3 temporadas, o time já conciliou relações, arrumou casas, reformou igrejas, aconselhou pessoas, renovou guarda-roupas e ajudou até gay a sair do armário. A cada episódio, diversos insights sobre moda, gastronomia, comportamento, cultura, design e cuidados pessoais. É mais um programa para se divertir, mas também se emocionar com lindas histórias de vida e seres humanos incríveis. 

6 – Série | Crônicas de San Francisco

A série, também disponível na Netflix, é baseada na obra literária de Armistead Maupin e traz para o protagonismo a comunidade LGBTQ que reside na pensão de Barbary Lane, espécie de porto seguro comandado pela transexual Anna Madrigal, em San Francisco. Seus episódios retratam lindamente histórias, romances, frustrações, intimidades e intrigas dos seus personagens e de forma super natural, passando longe de romantizações e caricaturas tão comuns em obras como esta. Sem generalizações, a trama aborda questões delicadas e discute diversos temas que envolvem pessoas queer. Uma das coisas que mais me agradaram na série foi o conflito de gerações, que ocorre sem, necessariamente, demonizar nenhuma das partes. O quarto episódio é um dos meus preferidos!

7 – Documentário | Revolta de Stonewall

Stonewall é um pub símbolo das primeiras lutas LGBT nos Estados Unidos. Numa época em que  a homossexualidade ainda era encarada como doença e os gays se escondiam em becos, ‘inferninhos’ e bares proibidos, Stonewall recebia toda essa gente marginalizada e, por isso, sofria constantes ataques e batidas da polícia de Nova York. Em junho de 1969, numa dessas abordagens, a comunidade ali presente, já cansada de sofrer repressões, resolveu reagir e encarar a polícia. A partir dali, aquelas pessoas compreenderam a força que tinham enquanto grupo e passaram a se organizar em encontros, manifestações e em outras lutas, que tempos depois desencadearam a Parada do Orgulho. 

Nesse doc, disponível no Youtube, há diversos testemunhos e relatos que ajudam a contar como tudo aconteceu. 

8 – Filme | Hoje eu Quero Voltar Sozinho

Filme brasileiro e super fofinho, que narra aquele amor juvenil que todos nós já tivemos um dia. Leonardo é um adolescente cego que encontra em Gabriel, seu novo colega de escola, a fonte de todas as suas descobertas amorosas e sexuais. Obra delicada, trilha ótima, narrativa gostosa, que fala sobre os medos, dilemas e sentimentos que permeiam a vida de muitos jovens gays e com as quais você vai se identificar com toda certeza. Filme pra ver e rever sempre!

 

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