O que esperamos das marcas nas redes sociais?

Em qualquer esforço de comunicação digital, atirar no escuro ou apenas seguir o fluxo sem refletir sobre o que está sendo entregue ao público pode ser muito prejudicial. Internet não é bagunça e você precisa, minimamente, entender o que seus seguidores esperam de você enquanto marca. 

Foto: Tereza & Aryanne

Algumas dessas expectativas que nós, enquanto consumidores, temos, eu compartilho aqui com vocês.

1 – Relacionamentos e afetos

Entre nas redes sociais para criar relacionamentos e trocar afetos. Ok, talvez soe piegas isso, mas o resultado é real. Grande parte do baixo engajamento das marcas na web se deve ao fato de que elas se preocupam bem mais com a propaganda dos seus produtos e serviços e pouco se dispõem a se relacionar profundamente com seus seguidores e clientes.

Empresas centradas somente em si, que não olham para os lados, não falam na língua dos consumidores, não conversam e usam seus perfis somente para exposição dos seus negócios ainda precisam aprender muito para, de fato, engajar e atingir seus objetivos na Internet.

> Crie diálogos: não adianta você ter a postagem mais bonita se você não responde comentários, só manda coraçãozinho no direct, ignora inbox e e-mail e segue falando sozinho achando que essa é a melhor estratégia. Seguidores gostam de se sentir valorizados, fazendo parte da comunicação da marca. Se possível, enquanto conversa, chame as pessoas pelo nome!

> Acredite nas entrelinhas: seu interesse ao entrar numa rede social pode ser gerar vendas, bater metas, aumentar lucros, mas jamais transfira esse seu desejo (ou desespero em alguns casos) para quem te segue. As pessoas não acessam Facebook, Instagram, Youtube, por exemplo, para serem impactadas por publicidade. Portanto, entenda sua estratégia na rede como um jogo de sedução, em que, pra conquistar alguém, você não precisa a todo instante reafirmar seu intuito comercial. Venda de forma invisível, seja criativo, interessante, pertinente, atenda necessidades e desejos dos seguidores, compartilhe expertises, responda perguntas. Só assim eles vão se interessar pelo conteúdo que você entrega e, quem sabe, dar ‘Match’ com seus produtos e serviços.

Você pode compartilhar curiosidades do seu universo como o Jardim da Saudade

Ou compartilhar as melhores coxinhas da cidade como os meninos da @macucotv

Ou ajudar suas noivinhas com dicas sobre orçamento como faz o @mia.decor

> Não mendigue atenção: ‘me curta, comente meus posts, compartilhe meu vídeo’. Abordar individualmente as pessoas assim é muito chato e pra uma marca pode pegar muito mal. Suas postagens terão sempre o alcance que merecem ter. Se as pessoas não interagiram com elas, é porque não foram suficientemente interessantes. Então antes de pedir likes, comentários e compartilhamentos, reveja sua estratégia e seja mais criativo nos conteúdos futuros.

É óbvio que você pode direcionar esse seu pedido para um público amplo (como faço no final desse post), sem problema algum. Só não constranja INDIVIDUALMENTE as pessoas, para que elas não se sintam coagidas a interagirem com algo que elas não gostaram.

> Dê antes de receber: Marketing de Conteúdo é, em suma, entender essa lógica e entregar ao público postagens e temáticas que, dialoguem com o universo da sua marca, mas que, sobretudo, respondam e atendam perguntas, necessidades e desejos de alguém. Preocupe-se sempre em ser útil, entretendo, informando, inspirando e/ou educando. Fazendo isso, naturalmente seus seguidores vão se interessar pelo que você tem a oferecer.

Você pode compartilhar caseirices como faz @acasacomoelae

Ou brincar com o universo das séries como faz a doceria @take1doceria

E até abordar temáticas mais sérias como o perfil @todxsbrasil

2 – Discursos mais profundos

E dentro dessa lógica de Marketing de Conteúdo, você deve estar se perguntando: se não for pra falar de mim, do meu produto, da minha marca, o que sobra? Sobra tudo, sobra o mundo. Negócios que se permitem sair do protagonismo e usam suas redes sociais como plataformas para discursos profundos, causas sociais, temáticas importantes, têm chances maiores de se destacar.

Então a partir do relacionamento que você deve construir com seu público, descubra sobre o que ele está falando naquele momento; entenda suas visões de mundo; seus ideais; seus estilos de vida; suas agonias, expectativas, interesses; e fale sobre cada um deles. 

É impossível generalizar a noção do que é um conteúdo interessante, porque isso varia bastante. Internet é feita de nichos, comunidades e cada um com interesses diversos. Por isso, é seu papel, a partir de conversações, entender o que é pertinente para o seu público. 

De repente, seus seguidores querem ver você se posicionar sobre causas específicas, como o feminismo, diversidade e/ou tolerância religiosa. Talvez não, de repente, eles querem saber o que você acha da causa animal, da causa amazônida, da sua consciência ambiental. Em algumas situações, você pode fisgar esse público dialogando sobre indígenas, nordestinos, crianças, idosos, entre outros.

Mas vale uma ressalva: fale sobre assuntos que você tenha conhecimento, que você domina e pratica no mercado. ‘Surfar na onda’ sem praticar o que você está propagando aos quatro cantos, pode ser um tiro no pé e afundar o seu negócio. Não seja oportunista, estamos de olho!

3 – Acesso à informação

Facilite a vida dos seus consumidores. Não seja um mistério, não torne suas informações uma caça ao tesouro. Seu produto, seu serviço, seu preço, sua localização não são o Santo Graal, portanto, compartilhe! 

Lembre-se sempre: nós estamos lidando com pessoas sem tempo e, às vezes, é necessário pouco menos de um segundo pra fisgar a atenção delas. Se você não democratiza aquilo que o público quer saber, sua concorrência pode entregar o que ele quer e roubar toda sua clientela. 

> Quanto custa: a não ser que políticas internas da empresa te proíbam, compartilhe seu preço. Qual o problema em dizer que seu prato custa 25 reais ou a sua saia custa 45?

> Geolocalização: compartilhe o seu endereço, porque ninguém é obrigado a saber onde seu ponto de venda está localizado;

> Horário de Funcionamento: deixe na sua bio seus horários; comunique em postagens, quando houver qualquer mudança no seu funcionamento, seus horários especiais no final de semana e no feriado, etc.;

4 – Consistência

Marca que entra quando quer nas redes sociais, faz uma postagem hoje e outra só daqui a 3 meses, jamais vai engajar. A internet também pede consistência, assiduidade. Planeje-se para cumprir o que você prometeu. Não importa se um vídeo por mês, um artigo por semana ou dois stories por dia, só não caia em descrédito traindo a expectativa do público que espera pelos seus conteúdos.

Além disso, viva a sua timeline: assista, interaja. Desse olhar frequente, você pode obter diversos insights e entregar material mais assertivo para os seus seguidores.

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Creators: o que as marcas esperam deles

Visitando a sede do Facebook

E a carinha de felicidade?

Aprendizados, networking, co-criação e muita cerveja gelada em dois dias de imersão. Foi isso que a Itaipava ofereceu pra 13 creators de diversas capitais brasileiras nesta semana, em São Paulo. E entre os escolhidos, euzinho aqui, muito Miss Pará (OBRIGADA, MEU DEUS!). A marca tem buscado se afinar cada vez mais com as regionalidades e sutilezas do Brasil, descobrindo os mais diferentes verões de norte a sul e nós fomos lá dar a nossa contribuição.

O primeiro dia foi na base do Youpix. A Thaís Mara falou sobre as melhores formas de nós nos relacionarmos com grandes e pequenas marcas; depois cada um teve 1h30 para desenvolver um projeto que aliasse cerveja, verão e a sua região; e apenas quatro minutos para defendê-lo para a Itaipava.

Partiu Pará, Itaipava?!

No segundo dia, visitamos a sede do Facebook , pra conversarmos sobre os números e expertises das suas redes sociais no Brasil; e aprendermos diversas técnicas no Instagram Stories School. Após o almoço, fomos ao coletivo de fotógrafos I Hate Flash, pra ouvirmos especialistas falarem sobre Influência Digital; técnicas para produzirmos stories; e até sobre a importância da luz.

Foram dias incríveis de trocas, discussões, conscientização do nosso próprio papel dentro desse mercado e, sobretudo, de entendimento do quão necessário é seguir gerando conteúdos que dizem respeito às nossas verdades e a tudo que nos rodeia. Ninguém fala melhor do nosso lugar do que a gente mesmo. E é justamente esse conteúdo autêntico que as marcas têm procurado, não aqueles que se assemelham a tudo que já foi visto por aí. Obrigado demais a Itaipava por confiar no meu trabalho e me fazer um convitezão desse, bicho! ❤

Óbvio que eu jamais guardaria os insights dessa imersão somente pra mim. Abaixo, compartilho alguns deles com vocês:

1 – Seja creator, mas seja real! As pessoas acompanham Influenciadores Digitais como quem acompanha uma novela e querem trama, drama, episódios cativantes. O mercado e os seguidores têm exigido narrativas humanas e histórias verdadeiras, capazes de criar laços e afinidades. E nesse contexto, qual tem sido o seu roteiro? Você se vulnerabiliza, é transparente? Seus conteúdos contam histórias, têm altos e baixos, perrengues e finais felizes? Eles mostram quem realmente você é ou você ainda se esconde atrás de cortes, filtros e ângulos perfeitos?

2 – Entenda o que você representa! Você é autoridade em que assunto? Quando falam de você, as pessoas lembram de quê? Em que nichos, grupos, comunidades você está inserido? Influenciadores influenciam porque são porta-vozes de tudo aquilo que as pessoas adorariam dizer. E o que você tem dito por aí? Se uma marca te procura, é exatamente por tudo aquilo que você defende, acredita e representa na Internet. Tenha essa consciência e seja fiel a esse seu mundo;

3 – Valorize-se! Todo creator é, necessariamente, um agente transformador desse universo digital. E em um mercado tão novo, fluido e dinâmico como esse, é ele quem também determina suas diretrizes, regras, preços e valores. Portanto, se você não é o primeiro a acreditar no valor (falo de grana mesmo) do seu trabalho, não espere isso de ninguém. Saiba quanto custa seus processos, entenda sua posição no mercado local e global e nunca se desvalorize;

4 – Entenda de uma vez por todas o que é conteúdo! Quando descobrimos que conteúdo relevante nas redes sociais é muito mais sobre o outro do que sobre a gente, finalmente caminhamos pra um trabalho mais consistente e preciso. Falo disso e não é de hoje: só leve adiante um post, vídeo ou texto se ele for útil a alguém. Se alimentar apenas o seu ego, não espere nada dele. 4 verbinhos podem te ajudar a entender se você está no caminho certo: conteúdo bom tem que ENTRETER (fazer sorrir ou emocionar), INSPIRAR, INFORMAR e/ou EDUCAR;

5 – Não tenha medo de conversar com as marcas. Se elas te procuraram, é porque acreditam no teu trabalho. Então não se acanhe. Converse, proponha, corrija, negue quando necessário, mostre como você trabalha, não aceite qualquer coisa, aponte caminhos e construa conjuntamente. Quando marcas decidem por você como deve ser o seu conteúdo, as chances de ele dar certo são quase nulas;

6 – Google na marca! Sei que o deslumbre é real quando grandes marcas procuram creators para possíveis parcerias, mas antes de topar qualquer trabalho, faça o mesmo que elas: stalkeie! Vá bisbilhotar o histórico, os ideais, a comunicação, os bastidores da empresa, pra saber se vocês estão alinhados. Não feche nada sem antes saber se vocês acreditam nas mesmas coisas e estão afinados no mesmo discurso. Fazendo isso, você minimiza ruídos e elimina consideravelmente as possibilidades de erros durante a caminhada;

7 – Não deixe nada nas entrelinhas. Você e a marca deram MATCH? Ui, que delícia. Mas cuidado! Não se deixe levar pela empolgação e preste muita atenção em todos os itens do acordo. Mesmo que algo pareça subentendido, fale, deixe escrito, pra que lá na frente você não seja cobrado por algo que não prometeu. Proponha, leia e assine contratos, registre conversas por e-mails e se respalde;

8 – Não se frustre! Hum… O flerte foi demorado, mas o match não rolou. Fica triste, não, boba! Levante essa cabeça e parta pra outra. Situações assim vão acontecer sempre, o que não quer dizer que o seu trabalho é melhor ou pior do que o do outro. Siga produzindo seus conteúdos e esteja sempre aberto, que uma hora rola!
E outra coisa: seja paciente! Quanto maior a marca, mais demorados são os processos e negociações. Bons trabalhos exigem planejamento e, às vezes, a construção de uma parceria pode levar meses mesmo, não se assuste!

9 – Não tenha preguiça de explicar o seu trabalho. É maravilhoso quando a gente tem a consciência do valor do nosso trabalho, mas sempre que for necessário repetir a importância dele pra alguém, não se recuse, ninguém é obrigado a saber. Respire fundo e diga mais uma vez o que você faz, como faz e por que o que você faz é tão valioso assim;

10 – Acredite nos STORIES! O Facebook enquanto companhia tem apostado demais no Instagram e os STORIES já em 2017 quase equiparou o seu alcance ao do FEED, portanto, é preciso dar atenção especial aos conteúdos de até 15 segundos. Na palestra que assistimos, o atendimento do Facebook reforçou as principais forças dos stories: tempo real; sem filtro; e divertido. Você tem explorado essas forças? Enquanto as postagens no feed são aquelas do ‘momento especial, a coisa mais importante do seu dia’, nos stories as pessoas querem ver os bastidores e acompanhar sua vida como num grande pay-per-view. Dê isso a elas (claro, sem trair os seus limites e a sua privacidade);
E fique esperto! As pessoas têm associado o Instagram a quatro importantes atributos: ENTUSIASMO, CRIATIVIDADE, VISUALMENTE BONITO e CONTEÚDO AUTÊNTICO. Seja amigo desses atributos!

11 – ALCANCE, ENGAJAMENTO e QUALIDADE. Esses três indicadores andam juntos e super importam na hora de você mensurar o seu trabalho para vendê-lo para as marcas. Enquanto que o alcance corresponde ao número total de pessoas (contas únicas) que viram qualquer uma das suas publicações, o engajamento diz respeito ao número de vezes em que essas contas interagiram com seus conteúdos, por meio de likes, comentários, compartilhamentos, retuítes, entre outros. Já a qualidade é sobre o engajamento que interessa de fato pra empresa que te contrata, porque muitas vezes o seu publipost pode ter um número enorme de comentários, mas nenhum deles estar direcionado à marca e isso precisa ser corrigido. Você estuda esses indicadores? Como vai a sua mensuração? Você alimenta, minimamente, uma planilha com esses números pra fins comparativos? Que tal começar hoje?

12 – Tenha paciência! Não deixe o seu desespero por grana, publiposts e fama ser maior que o interesse em se relacionar com as pessoas que te seguem. Esse é o bem mais valioso que deve ser preservado, porque é o que vai te proporcionar engajamento e visibilidade reais. Mantenha-se fiel ao seu conteúdo e, como diria o filósofo, deixa acontecer naturalmente. ❤

 

Valeu, Itaipava!