Livros pra ler rapidinho

Obras literárias pra ler rapidinho: descomplicadas, pequenas e de fácil leitura. Reuni nove delas nessa lista. Espero que elas te incentivem a ler mais daqui em diante.

Jarid Arraes roubou meu coração com esse livro de contos sobre as entranhas lindas do Brasil do norte e nordeste. Resumiu muito da minha infância nessa obra leve, cheia de sotaques e extraordinária.

Primeiro livro da Djamila Ribeiro que eu li. Didático, reflexivo e necessário! Mas pra ler de peito aberto, sem medo de se colocar à prova e de rever alguns preconceitos enraizados na gente.

Por que e como compramos? Esse livro de Neuromarketing do Martin Lindstrom te responde. Indico também o Brandwashed do mesmo autor.

O mundo de uma criança trans em uma história leve e de muito amor, pra que a gente treine o nosso olhar, crie empatia e entenda, de uma vez por todas, que as vidas dessas pessoas importam e são lindas também.

LEIA TAMBÉM: Hábitos que me ajudaram a ler mais

Livrinho bom pra chorar, vai por mim. Família, namoro, casamento, morte, tudo junto. Li muito recentemente e leria outra vez. É bom demais!

Homens, mais um livro pra ler sem ficar na defensiva: Solnit é pra consumir sem medo se reparar e se corrigir.

Aforismos e metáforas gostosos de se ler. Num dia, tu lês tudo!

Ó Djamila Ribeiro aqui outra vez. Indicaria também o “Na Minha Pele”, do Lázaro Ramos.

Homossexualidade, primeiros amores, internet, cultura pop e protagonista gente como a gente. Livro de estreia do Vitor Martins que eu amo muito.

Meus 10 livros preferidos

A resenha completa de todos estes livros e outras dicas literárias, eu dou aqui: https://www.instagram.com/cacosmetaforicos/

Meus 10 livros preferidos

Enfim, 33. E este é um post comemorativo, pra dividir com vocês algumas das minhas leituras preferidas em todos estes anos de vida. 

Ai… Listas definitivas me assustam, mas estou seguro dessas escolhas. ❤

1 – Travessuras da Menina Má

Foto: Jeniffer Geraldine

Esse livro, de uma só vez, foi capaz de me amarrar, definitivamente, ao universo literário e fazer eu me apaixonar por Mario Vargas Llosa, um dos meus autores latinos favoritos até hoje. É, de longe, a literatura que mais dei de presente para meus amigos e compartilhei com outros tantos amores. Indicada por um amigo de Twitter, a obra é de 2006 e narra a história de Ricardo e Lily, um casal apaixonado que se perde e se reencontra várias vezes ao longo da vida. Sabe aquele clássico ‘final de fazer chorar’? Pois é, chorei com uns 3 finais de livros e olhe lá… Menina Má foi um deles.  

2 – Precisamos Falar sobre o Kevin

Um livro pra desgraçar a cabeça de qualquer um. Mesmo depois de ler outras obras dela, eu ainda fico passado com a capacidade que Lionel Shriver tem de desenvolver personagens tão ricos e complexos, como Kevin e sua mãe. Lembro de, nos primeiros capítulos, interromper a leitura pra pesquisar na internet mais detalhes da vida de Kevin, sem nem desconfiar que aquela história não passava de ficção, porque pra mim era tudo tão real que eu custei a acreditar que eu estava errado.

Tudo nesse livro é bom: a narrativa em forma de cartas, os conflitos mentais da mãe, as reviravoltas, a frieza de Kevin, absolutamente tudo… Mesmo depois de quase 5 anos, é, sem dúvidas, um dos livros que mais recomendo a leitura, não importa se a pessoa gosta de romance, drama, ficção, fantasia ou biografia, dificilmente ela não vai se apegar.

3 – Me Chame pelo Seu Nome

‘É a primeira lembrança que tenho dele, e parece que ainda hoje consigo ouvi-lo. Até depois! Fecho os olhos e estou de volta à Itália, observando-o sair do táxi com uma camisa azul esvoaçante, óculos escuros, muita pele à mostra’. Esse livro do André Aciman me impactou demais. Nada mexia tanto comigo desde ‘Travessuras da Menina Má’ e ‘Precisamos Falar Sobre o Kevin’. Que história mais sensível, quente e incrível. Oliver e Elio, um descobrindo no corpo e na alma do outro todas as nuances de um amor potente, entre dois iguais, no interior da Itália. As sentimentalidades escondidas querendo explodir; as descobertas sexuais; os altos e baixos de um coração confuso; o amor tímido; os diálogos de dois apaixonados; a viagem para Roma; tudo isso fez de ‘Me Chame Pelo Seu Nome’ um dos livros mais lindos que já li. Está no meu Top 3, sem dúvida alguma. É uma obra delicada, mas sem ser clichê. Retrata lindamente o primeiro amor na vida de um gay: as dúvidas, os medos, as angústias, os sentimentos ditos nos gestos mais sutis, como o pé de um enterrado no pé do outro por baixo da mesa, absolutamente tudo, ilustração fiel do que um dia já vivemos ou ainda vamos viver. ‘Você vai me matar se parar’.

4 – A Menina que Roubava Livros

Ah… Liesel Meminger é uma das minhas personagens favoritas de toda a literatura mundial. Tenho apego enorme pela sua história. No auge da inspiração, Mark Zusaki acertou em tudo quando escreveu A Menina que Roubava Livros, desde o nome, passando pela Morte como narradora da história, até o desfecho, que é um dos mais emocionantes, tristes e lindos que já li.

O drama fala das diversas vidas impactadas pela Segunda Guerra Mundial, na Alemanha do século XX, e ajuda você a compreender o estrago que regimes políticos, como o Nazismo, e realidades bélicas podem fazer na história de alguém. Mesmo estudando sobre duas guerras mundiais na escola, foi com Liesel que eu pude sentir a dor de viver em meio a tudo isso. 

Te desafio a não chorar com a menina e seus livros roubados! 

5 – A Cor Púrpura

Celie é especial demais, cara. Tenho muito amor por ela. Negra, semianalfabeta e estuprada pelo padrasto, a personagem narra toda a sua vida em breves cartas para Deus e para sua irmã, e mesmo diante de tanta desgraça, seus textos, além de nos fazer refletir e chorar, ainda provocam o riso. 

Obrigada a se separar de seus filhos para se casar com um homem violento, ela vai encontrar amor justamente na sua relação com Shug Avery, amante do seu marido e uma mulher a frente do seu tempo, que ajuda Celie a se livrar de todas as amarras e sofrimentos da sua vida. O livro premiadíssimo também virou filme, em 1985, dirigido por Steven Spielberg.

6 – Dom Casmurro

Eu sempre amei os livros clássicos. E Machado é disparado o responsável por diversos dos meus preferidos. Dom Casmurro é o melhor, porque consegue ser intrigante, histórico, debochado, engraçado e atual, mesmo sendo escrito um século atrás. Demorei a lê-lo, por pura implicância com as leituras obrigatórias do vestibular, até me render e me apaixonar. Como pude perder tanto tempo, cara? Dom Casmurro é sensacional!

Bentinho e Capitu, seus protagonistas, resistem ao tempo, encantando gerações não só na literatura, mas na cultura brasileira de modo geral, fazendo deste livro a obra-prima de Machado, que, por sua vez, é um dos meus escritores favoritos.  

7 – Gabriela

Jorge Amado, que xodozinho, meu Deus! Eu tô cada vez mais apaixonado pela escrita dele. GABRIELA, Cravo e Canela foi minha segunda leitura do autor baiano e, até agora, a minha preferida. O livro narra a história de amor entre Gabriela e seu Nacib, na Ilhéus dos anos 20. E sem se amarrar ao relacionamento dos protagonistas, Amado nos oferece uma leitura gostosa, transitando lindamente entre outros tantos personagens e histórias que enriquecem ainda mais a obra.

Sua escrita nesse livro me fez enxergar diversas semelhanças entre ele e Gabriel García Márquez, outro autor que amo demais e está nesta lista. São dois gênios que dominam não só a escrita, mas também toda a raiz, a cultura e as camadas mais profundas dos seus lugares. Porém, o que verdadeiramente me apaixonou em Gabriela foi sua personalidade linda, contraponto irretocável de todas as mazelas, vícios, hábitos e costumes da Bahia à época. Numa Ilhéus machista, provinciana, assassina e prostíbula, Gabriela, Cravo e Canela atravessa a vida solta, leve, fogosa e feliz. É lindo de ver!

8 – O Amor nos Tempos do Cólera

O livro que me apresentou Gabriel García Márquez, por quem tenho inteira paixão. ❤

Além do apego que tenho por esse título, O Amor nos Tempos do Cólera escancarou ainda o realismo peculiar de Gabo e me fez enxergar encanto na leitura, hábito que demorei tanto a criar. A história de Florentino Ariza e Fermina Daza é inspirada na relação de Gabriel Elígio García e Luiza Márquez, pais de Gabriel García, e fala dos percalços, barreiras e forças de uma paixão. Amo, sobretudo, como a velhice é retratada nessa obra, mais um motivo que me fez amá-la ainda mais. 

Li Cólera, pela primeira vez, em 2011. E hoje, 9 anos depois, enquanto escrevo este post, releio suas páginas, a fim de relembrar do meu amor à primeira vista pela obra de Gabo, literatura gigante, que sempre vai me transportar para lugares lindos da minha memória.   

9 – O Silêncio das Montanhas

Todos os livros do Khaled Hosseini que eu li entrariam facilmente nesta lista. O Caçador de Pipas, A Cidade do Sol e O Silêncio das Montanhas falam de vidas atravessadas por guerras e de crianças vítimas de tradições muito cruéis. São leituras sempre muito densas, angustiantes e tristes, mas de uma poesia sem igual.

O Silêncio das Montanhas, a terceira obra dele, que narra a história dos irmãos Abdullah e Pari, mexeu comigo de um jeito especial, por isso a escolha. Assim como Travessuras da Menina Má, foi uma leitura pra chorar. E muito!

Mas adianto, se você gosta finais felizes, Hosseini não é pra você. 

10 – Um Milhão de Finais Felizes

‘Eu te amo e tenho certeza de que, mesmo passando por tanta coisa ruim na vida, você ainda guarda um milhão de finais felizes aí dentro’. Ah, cacete! Mais uma daquelas frases que mexem demais com a gente! Eu amei esse livro do @vitormrtns, assim como Quinze Dias, sua primeira obra, porque neles a gente se enxerga, neles, o autor fala de nós: gays brasileiros fora do padrão e viciados em memes de Internet. AAAAA

A história de amor do Jonas e Arthur, o Barba Ruiva, é boa do início ao fim. E mesmo aparentando ser, num primeiro olhar, mais um desses romances juvenis água com açúcar, ele aborda diversos temas delicados e muito necessários, como a relação entre homossexualidade, família e religião. Livrão, sim! E eu terminei apaixonado pelo casal, quase stalkeio os dois no Instagram pra propor um poliamor, aí lembrei que eram só personagens. 

Que alegria ter Vitor Martins entre nós. Que venham outros finais felizes por aí!

Menção honrosa ao livro Anjos e Demônios, de Dan Brown, um dos autores que me ajudou a ler com frequência. Suas aventuras com Robert Langdon são de deixar qualquer um sem fôlego e este livro não é diferente. Ação, História da Arte, Mistério, Religião e Vaticano, tudo misturado. Uma das poucas obras que já li duas vezes e, sem dúvida, lerei outras tantas porque é bom demais.

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Meus livros preferidos de 2019

Variações Enigma entrou aí de ousado que é, porque eu o li em 2018.

Ano de tanta leitura incrível e de topar sem dó com escritores que eu desconhecia e passei a amar. 26 livros lidos em 2019 e cinco me tocaram lindamente. São eles:

1 – Os Sete Maridos de Evelyn Hugo – Taylor Jenkins Reid

– Isso te incomoda? Que seus maridos tenham se tornado um assunto tão importante?⁣
– Não. Porque eles são só maridos. A Evelyn Hugo sou eu.⁣

Eu estou ridiculamente apaixonado por esse livro. Li Os Sete Maridos de Evelyn Hugo num tapa e leria outras tantas páginas se maior ele fosse. Surpresa linda esse trabalho impecável da Taylor Jenkins Reid, que descortina os bastidores de Hollywood, a partir da personagem Evelyn Hugo, uma lendária estrela do cinema desde os anos 50.⁣

Ao narrar sua vida, a atriz fala sobre casamentos arranjados, disputas, egos, Oscar, negociações, relação dos astros com paparazzi, homossexualidade e tudo que ronda o universo cinematográfico até os anos 2000. ⁣Longe de ser romantizada, Evelyn é descrita como uma mulher super humana, com suas faces boa e ruim, alguém que não mediu esforços pra conquistar fama e dinheiro numa época preconceituosa e conservadora. ⁣

É um livro que você não consegue parar de ler. Com diversos pontos altos no decorrer da história e reviravoltas pra você ficar vidrado do início ao fim.

2 – Gabriela – Jorge Amado

Jorge Amado, que xodozinho, meu Deus! Eu tô cada vez mais apaixonado pela escrita dele. GABRIELA, Cravo e Canela, presente da @gisasmith, foi minha segunda leitura do autor baiano e, até agora, a minha preferida. O livro narra a história de amor entre Gabriela e seu Nacib, na Ilhéus dos anos 20. E sem se amarrar ao relacionamento dos protagonistas, Amado nos oferece uma leitura gostosa, transitando lindamente entre outros tantos personagens e histórias que enriquecem ainda mais a obra.

Sua escrita nesse livro me fez enxergar diversas semelhanças entre ele e Gabriel García Márquez, outro autor que amo demais. São dois gênios que dominam não só a escrita, mas também toda a raiz, a cultura e as camadas mais profundas dos seus lugares. Porém, o que verdadeiramente me apaixonou em Gabriela foi sua personalidade linda, contraponto irretocável de todas as mazelas, vícios, hábitos e costumes da Bahia à época. Numa Ilhéus machista, provinciana, assassina e prostíbula, Gabriela, Cravo e Canela atravessa a vida solta, leve, fogosa e feliz. É lindo de ver!

3 – Todas as Cores do Céu – Amita Trasi

‘Quando você quer enxergar uma coisa, você vê todos os sinais, sejam eles verdadeiros ou não’. Todas As Cores do Céu narra a história de Mukta, criança indiana vítima de uma tradição que prostitui meninas que mal saíram da puberdade. Não é uma leitura fácil de digerir, porque nesse primeiro romance da Amita Trasi, nos deparamos com uma realidade em que as mulheres ainda são rechaçadas, humilhadas, escravizadas e alheias aos seus próprios sonhos. Mas fala também de família, amor e laços profundos. Foi uma leitura que me lembrou muito as crianças das obras de Khaled Housseini, de quem eu sou fã demais. Embora triste, é uma narrativa linda do início ao fim. Leiam!

Conheça 6 escritores que amei conhecer recentemente

4 – George – Alex Gino

George é uma menina trans e suas descobertas são narradas do jeito mais lindo, inocente e poético por Alex Gino neste livro. Além da ousadia em abordar esse tema ainda tão tabu para muitos, o que mais amei nessa história foi o fato de o narrador sempre se referir a George, mesmo num corpo de menino, no gênero feminino. ⁣

George me trouxe empatia. Pensar na dor, na opressão e no autoboicote a que toda pessoa transexual é submetida no início da sua vida até se entender e se aceitar, foi um grande exercício pra mim, que, sem dúvida, gerou em mim muito mais amor pelo universo trans.

5 – Redemoinho em Dia Quente – Jarid Arraes

Redemoinho em Dia Quente me deixou aos pés de @jaridarraes. Um encontro do acaso. Livro emprestado do @carlosraffaeli. Uma série de contos com a cara da minha infância. Identificação imediata.⁣ Escrita fresquinha, literatura com sotaque, um livro genuinamente brasileiro, com as cores do norte e nordeste.⁣

O Carlos disse ‘a gente lê Jarid como se ela fosse uma amiga contando suas histórias sentada na beira da calçada’. E é bem isso! Se eu fosse tu, sentaria nessa calçada hoje mesmo.⁣ Que Jarid seja generosa com o mundo e nos deixe a par da sua poesia outras tantas vezes.⁣

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Meus livros preferidos de 2018

Entre altos e baixos, no ano passado, o saldo foi de 25 obras lidas: de leituras sobre Marketing e Comunicação Digital, minhas profissões, a diversos autores inéditos que foram ótimas surpresas pra mim. Entre eles, escolhi meus cinco livros preferidos. O mais legal de tudo: ainda não tinha lido nenhum destes autores da lista antes de 2018. 

Os livros que li em 2018. Falei de cada um deles no Cacos Metafóricos

1 – Um Milhão de Finais Felizes – Vitor Martins

‘Eu te amo e tenho certeza de que, mesmo passando por tanta coisa ruim na vida, você ainda guarda um milhão de finais felizes aí dentro’. Ah, cacete! Mais uma daquelas frases que mexem demais com a gente! Eu amei esse livro do @vitormrtns, assim como Quinze Dias, sua primeira obra, porque neles a gente se enxerga, neles, o autor fala de nós: gays brasileiros fora do padrão e viciados em memes de Internet. AAAAA

A história de amor do Jonas e Arthur, o Barba Ruiva, é boa do início ao fim. E mesmo aparentando ser, num primeiro olhar, mais um desses romances juvenis água com açúcar, ele aborda diversos temas delicados e muito necessários, como a relação entre homossexualidade, família e religião. Livrão, sim! E eu terminei apaixonado pelo casal, quase stalkeio os dois no Instagram pra propor um poliamor, aí lembrei que eram só personagens. 😦 Que alegria ter Vitor Martins entre nós. Que venham outros finais felizes por aí!

2 – Quem Tem Medo do Feminismo Negro? – Djamila Ribeiro

E aí, quem tem medo? Que livro mais necessário esse, hein?! Uma obra que escancara duas grandes doenças da nossa sociedade, o Machismo e o Racismo, e traz à tona diversas discussões, como o próprio Feminismo que, segundo ela, durante muito tempo invisibilizou a luta da mulher negra; e o uso de termos que a gente segue reproduzindo sem nem perceber que eles carregam consigo uma lógica racista. MULATA, por exemplo, que significa uma mistura imprópria, que não deveria existir, e se referia, lá atrás, a bebês nascidos com a pele mais clara por conta da mistura entre a escrava e o senhor do engenho. É uma leitura que indico demais, sobretudo pra você que não se acha racista, mas não entende muitas das dificuldades que as mulheres negras passam. ‘Quem tem medo do feminismo negro?’ é pra ler de peito aberto, sem medo, mesmo que você se depare com alguma atitude racista relatada e que você, infelizmente, ainda reproduz. Viva @djamilaribeiro1!

3 – 1984 – George Orwell

E aí que, justo num ano político complicado para o Brasil, eu resolvi ler 1984 e desgraçar ainda mais meu juízo. Um livraço, inclusive. O protagonista vive sob um regime político de opressão, representado pela figura do Grande Irmão, o olho que tudo vê. Na Oceânia, pensar diferente é crime. Ser contrário, transgredir; esboçar alegria ou prazer, crime também; que pode levar uma pessoa à tortura e até à morte. George Orwell narra uma história longe de ser mera ficção, fala de exercícios de poder que já devastaram diversos povos e que ainda ameaçam sociedades como a nossa. É uma baita obra, vale muito a pena ler.

4 – Marketing de Conteúdo Épico – Joe Pulizzi

‘Os seus clientes não se preocupam com você, seus produtos ou seus serviços. Eles se preocupam consigo mesmos’. @joepulizzi, um especialista até então desconhecido pra mim, vai na ferida e explica os motivos que levam muitas marcas a fracassar nas redes sociais: pautadas na única preocupação de somente vender seus produtos, deixam de olhar pros lados, contar histórias e produzir conteúdos que impactem de fato a vida das pessoas. Bato nessa tecla há séculos e ele, nesse livro, atesta que ganha mais quem usa a Internet para produzir conteúdos relevantes e pertinentes, porque só assim conseguimos nos destacar na multidão. Ótima leitura, não dou nota máxima, porque, mais uma vez, por se tratar de uma obra sobre marketing digital, é normal que alguns conceitos envelheçam com o tempo. Mas super recomendo!

5 – Me Chame pelo Seu Nome – André Aciman

‘É a primeira lembrança que tenho dele, e parece que ainda hoje consigo ouvi-lo. Até depois! Fecho os olhos e estou de volta à Itália, observando-o sair do táxi com uma camisa azul esvoaçante, óculos escuros, muita pele à mostra’. Eu ainda estou impactado com esse livro do André Aciman. Nada mexia tanto comigo desde ‘Travessuras da Menina Má’ e ‘Precisamos Falar Sobre o Kevin’. Que história mais sensível, quente e incrível. Oliver e Elio, um descobrindo no corpo e na alma do outro todas as nuances de um amor potente, entre dois iguais, no interior da Itália. As sentimentalidades escondidas querendo explodir; as descobertas sexuais; os altos e baixos de um coração confuso; o amor tímido; os diálogos de dois apaixonados; a viagem para Roma; tudo isso fez de ‘Me Chame Pelo Seu Nome’ um dos livros mais lindos que já li. Está no meu Top 3, sem dúvida alguma. É uma obra delicada, mas sem ser clichê. Retrata lindamente o primeiro amor na vida de um gay: as dúvidas, os medos, as angústias, os sentimentos ditos nos gestos mais sutis, como o pé de um enterrado no pé do outro por baixo da mesa, absolutamente tudo, ilustração fiel do que um dia já vivemos ou ainda vamos viver. ‘Você vai me matar se parar’. Leiam, vocês não vão se arrepender!

LIVRO BÔNUS

Empreendedorismo para Subversivos – Facundo Guerra

Embora Facundo Guerra afirme que empreender seja uma ciência inexata, uma arte, um caminho e que cada um deve, sim, escrever sua história à sua maneira, o livro ‘Empreendedorismo para Subversivos’ abre a nossa mente para esse universo e desconstrói muito do que se propaga acerca de um empreendedor. Alguns dos aprendizados que levo pra vida depois dessa leitura são esses:

– O empreendedor sabe que existem outras grandezas além do dinheiro. O empresário nem suspeita disso;

– Não se posicionar sobre causas controversas pode ser o beijo da morte de uma marca. O discurso ‘nossas marcas não se posicionam politicamente’ não cola mais. Hoje os consumidores entendem que as corporações são grandes articuladoras de energias diversas e, sim, muitas vezes têm maior capacidade de mudar o seu entorno do que governos;

– Tenha um propósito: a razão que te faz empreender. Se fizer isso só para ser rico, suas chances são diminutas. Produza com propósito: para aumentar seu capital social, sua vaidade, busca por excelência, ego ou sentimento de grandeza, reputação, curiosidade, enfim, a lista é enorme!

– Empreenda no intuito de resolver um problema. Concentre seu foco e sua energia para solucionar um problema legítimo e não somente para desenvolver um alto grau de inovação por puro fetiche, como no refinar de um produto que não precisava, no final das contas, de refinamento algum;

– Saiba quando parar. Seu negócio foi criado com uma narrativa e qualquer narrativa precisa de um fim. Não acredite que seu negócio durará para sempre porque não vai durar. Seja maduro e planeje até onde ele pode ir.

Se você quiser acompanhar as minhas leituras, siga o Cacos Metafóricos também. Até o próximo post!

Literatura LGBT: 5 livros que me fizeram muito bem

Representatividade importa tanto, muito mais do que você imagina! A possibilidade de se enxergar na música, nas novelas, nas artes plásticas e na literatura, por exemplo, devolve autoestima a tanta gente. Fortalece, inclui e dá poder a milhões de pessoas que passaram a vida inteira se achando menores simplesmente porque nunca se viram representadas em narrativas, personagens e obras que se recusaram a contar suas histórias.

Por isso vivo pra enaltecer quem, ao me representar nas artes, aquece a minha alma e me faz tão bem. Recentemente, na literatura, cinco livros mexeram comigo, sempre de um jeito diferente, mas de modo muito especial. Poesia, empatia, generosidade, informação e muito amor nutrem essas obras e dão a elas um valor inestimável. Espero que vocês leiam também e me digam depois o que acharam.

1 – A Cor Púrpura – Alice Walker

Celie é especial demais, cara. Tenho muito amor por ela. Negra, semianalfabeta e estuprada pelo padrasto, a personagem narra toda a sua vida em breves cartas para Deus e para sua irmã, e mesmo diante de tanta desgraça, seus textos, além de nos fazer refletir e chorar, ainda provocam o riso. ❤ Obrigada a se separar de seus filhos para se casar com um homem violento, ela vai encontrar amor justamente na sua relação com Shug Avery, amante do seu marido e uma mulher a frente do seu tempo, que ajuda Celie a se livrar de todas as amarras e sofrimentos da sua vida.

O livro premiadíssimo também virou filme, em 1985, dirigido por Steven Spielberg.

2 – Me Chame Pelo Seu Nome – André Aciman

‘É a primeira lembrança que tenho dele, e parece que ainda hoje consigo ouvi-lo. Até depois! Fecho os olhos e estou de volta à Itália, observando-o sair do táxi com uma camisa azul esvoaçante, óculos escuros, muita pele à mostra’. Esse livro do André Aciman me impactou demais. Nada mexia tanto comigo desde ‘Travessuras da Menina Má’ e ‘Precisamos Falar Sobre o Kevin’. Que história mais sensível, quente e incrível. Oliver e Elio, um descobrindo no corpo e na alma do outro todas as nuances de um amor potente, entre dois iguais, no interior da Itália. As sentimentalidades escondidas querendo explodir; as descobertas sexuais; os altos e baixos de um coração confuso; o amor tímido; os diálogos de dois apaixonados; a viagem para Roma; tudo isso fez de ‘Me Chame Pelo Seu Nome’ um dos livros mais lindos que já li. Está no meu Top 3, sem dúvida alguma. É uma obra delicada, mas sem ser clichê. Retrata lindamente o primeiro amor na vida de um gay: as dúvidas, os medos, as angústias, os sentimentos ditos nos gestos mais sutis, como o pé de um enterrado no pé do outro por baixo da mesa, absolutamente tudo, ilustração fiel do que um dia já vivemos ou ainda vamos viver. ‘Você vai me matar se parar’.

Também falo de Literatura aqui: @cacosmetaforicos

3 – O Fim do Armário – Bruno Bimbi

Bruno Bimbi é ativista e profundo conhecedor da história e da causa gay. Integrou a Federação LGBT que lutou pelo casamento igualitário na Argentina e é autor de O Fim do Armário. Topei com esse livro sem querer, procurando novidades na prateleira da livraria e trouxe pra casa. Belo acerto! Além de abordar camadas das nossas vidas de forma lúcida e didática, como as descobertas, o bullying, o próprio armário; Bimbi traz à tona aspectos políticos, narra como a homossexualidade é tratada em países do Oriente Médio, África, Europa e América; corrige conceitos e nos faz refletir sobre nosso papel nessa luta. Sim, é um livro empoderador (embora muitos rejeitem esse termo). Terminei bem feliz. A parte mais delicada é a que fala sobre as igrejas católica e evangélica, talvez você não goste do que vai ler lá! Mas é o que precisa ser dito e recomendo muitíssimo!

4 – A Garota Dinamarquesa – David Ebershoff

O livro é um recorte lindo e sensível da vida de uma mulher trans, que, ainda nos anos 20, enfrentou o medo, a falta de informação e o preconceito pra ser o que queria ser: Lili Elba. Inspirada em uma história real, a obra é maravilhosa, poética e poderosa. Pra mim, só peca nas partes demasiadamente descritivas, que quebram a narrativa, muitas vezes, apenas pra descrever o uniforme da atendente, por exemplo. Mas é lindo, curioso e arrebatador.

A Garota Dinamarquesa ganhou o prêmio Literário Lambda de 2000 na categoria de Ficção Transgênero e virou filme também.

5 – Um Milhão de Finais Felizes – Vitor Martins

‘Eu te amo e tenho certeza de que, mesmo passando por tanta coisa ruim na vida, você ainda guarda um milhão de finais felizes aí dentro’. Ah, cacete! Mais uma daquelas frases que mexem demais com a gente! ❤ Eu amei esse livro do Vitor Martins, assim como Quinze Dias, sua primeira obra, porque neles a gente se enxerga, neles o autor fala de nós: gays brasileiros fora do padrão e viciados em memes de Internet. AAAAA
A história de amor do Jonas e Arthur, o Barba Ruiva, é boa do início ao fim. E mesmo aparentando ser, num primeiro olhar, mais um desses romances juvenis água com açúcar, ele aborda diversos temas delicados e muito necessários, como a relação entre homossexualidade, família e religião. Livrão, sim! E eu terminei apaixonado pelo casal, quase stalkeio os dois no Instagram pra propor um poliamor, aí lembrei que eram só personagens. 😦 Que alegria ter Vitor Martins entre nós. Que venham outros finais felizes por aí!

Hábitos que me ajudaram a ler mais

Não raro, me pedem dicas pra pegar o gosto pela leitura. Eu comecei a ler muito tardiamente, já na universidade e não me orgulho disso. Mas comigo funcionou assim, de repente, pode funcionar com você também:

1 – Comece pelos livros menores, com poucas páginas. Se começar pela A Divina Comédia, por exemplo, você pode desanimar antes mesmo da décima página;

Indico:
– Sejamos Todos Feministas, Chimamanda Ngozi Adichi;
– A Cidade Ilhada, Milton Hatoum;
– Estranherismo, Zack Magiezi;
– Stalker, Tarryn Fisher;

2 – Opte por livros divididos em capítulos. Uma obra contínua (sim, existem. Há um livro do Gabriel García Márquez que nem pontuação tem) não vai te ajudar em nada se você é ansioso. Lidar com um livro de 300 páginas, mas divididos em vários capítulos de 2 a 5 folhas, é bem diferente de lidar com um de 300 páginas sem pausas. Facilita até na divisão do tempo para a leitura;

3 – Respeite suas preferências! Se você gosta de filmes românticos e séries bobinhas, vai forçar a amizade com um livro de ficção científica por que mesmo?

4 – Estabeleça horários. Mesmo que sejam apenas cinco minutinhos ou dez páginas por dia, já vale muito. Mas não se traia, cobre-se! Seja disciplinado e depois contabilize quanta coisa você conseguiu ler em uma semana;

5 – Descobriu um escritor legal? Insista. Quando acabar o primeiro livro, leia outro dele, depois outro, depois outro…

Alguns dos meus autores preferidos:
– Machado de Assis;
– Lionel Shriver;
– Gabriel García Márquez;
– Markus Zusak;
– Khaled Hosseini;
– Mario Vargas Llosa;

6 – Carregue sempre um livro na mochila, na mala, na bolsa mesmo que a sua mente diga ‘você não vai ter tempo para ler’. Leve porque a gente nunca sabe quando vai encarar aquela fila enorme, sala de espera, engarrafamento (você sendo carona, claro) ou tédio mesmo;

7 – Siga o Cacos Metafóricos no Instagram! Nesse perfil, eu sempre compartilho minhas experiências literárias, é um bom lugar pra gente trocar ideia também.

Boa leitura!