Meus livros preferidos de 2018

Entre altos e baixos, no ano passado, o saldo foi de 25 obras lidas: de leituras sobre Marketing e Comunicação Digital, minhas profissões, a diversos autores inéditos que foram ótimas surpresas pra mim. Entre eles, escolhi meus cinco livros preferidos. O mais legal de tudo: ainda não tinha lido nenhum destes autores da lista antes de 2018. 

Os livros que li em 2018. Falei de cada um deles no Cacos Metafóricos

1 – Um Milhão de Finais Felizes – Vitor Martins

‘Eu te amo e tenho certeza de que, mesmo passando por tanta coisa ruim na vida, você ainda guarda um milhão de finais felizes aí dentro’. Ah, cacete! Mais uma daquelas frases que mexem demais com a gente! Eu amei esse livro do @vitormrtns, assim como Quinze Dias, sua primeira obra, porque neles a gente se enxerga, neles, o autor fala de nós: gays brasileiros fora do padrão e viciados em memes de Internet. AAAAA

A história de amor do Jonas e Arthur, o Barba Ruiva, é boa do início ao fim. E mesmo aparentando ser, num primeiro olhar, mais um desses romances juvenis água com açúcar, ele aborda diversos temas delicados e muito necessários, como a relação entre homossexualidade, família e religião. Livrão, sim! E eu terminei apaixonado pelo casal, quase stalkeio os dois no Instagram pra propor um poliamor, aí lembrei que eram só personagens. 😦 Que alegria ter Vitor Martins entre nós. Que venham outros finais felizes por aí!

2 – Quem Tem Medo do Feminismo Negro? – Djamila Ribeiro

E aí, quem tem medo? Que livro mais necessário esse, hein?! Uma obra que escancara duas grandes doenças da nossa sociedade, o Machismo e o Racismo, e traz à tona diversas discussões, como o próprio Feminismo que, segundo ela, durante muito tempo invisibilizou a luta da mulher negra; e o uso de termos que a gente segue reproduzindo sem nem perceber que eles carregam consigo uma lógica racista. MULATA, por exemplo, que significa uma mistura imprópria, que não deveria existir, e se referia, lá atrás, a bebês nascidos com a pele mais clara por conta da mistura entre a escrava e o senhor do engenho. É uma leitura que indico demais, sobretudo pra você que não se acha racista, mas não entende muitas das dificuldades que as mulheres negras passam. ‘Quem tem medo do feminismo negro?’ é pra ler de peito aberto, sem medo, mesmo que você se depare com alguma atitude racista relatada e que você, infelizmente, ainda reproduz. Viva @djamilaribeiro1!

3 – 1984 – George Orwell

E aí que, justo num ano político complicado para o Brasil, eu resolvi ler 1984 e desgraçar ainda mais meu juízo. Um livraço, inclusive. O protagonista vive sob um regime político de opressão, representado pela figura do Grande Irmão, o olho que tudo vê. Na Oceânia, pensar diferente é crime. Ser contrário, transgredir; esboçar alegria ou prazer, crime também; que pode levar uma pessoa à tortura e até à morte. George Orwell narra uma história longe de ser mera ficção, fala de exercícios de poder que já devastaram diversos povos e que ainda ameaçam sociedades como a nossa. É uma baita obra, vale muito a pena ler.

4 – Marketing de Conteúdo Épico – Joe Pulizzi

‘Os seus clientes não se preocupam com você, seus produtos ou seus serviços. Eles se preocupam consigo mesmos’. @joepulizzi, um especialista até então desconhecido pra mim, vai na ferida e explica os motivos que levam muitas marcas a fracassar nas redes sociais: pautadas na única preocupação de somente vender seus produtos, deixam de olhar pros lados, contar histórias e produzir conteúdos que impactem de fato a vida das pessoas. Bato nessa tecla há séculos e ele, nesse livro, atesta que ganha mais quem usa a Internet para produzir conteúdos relevantes e pertinentes, porque só assim conseguimos nos destacar na multidão. Ótima leitura, não dou nota máxima, porque, mais uma vez, por se tratar de uma obra sobre marketing digital, é normal que alguns conceitos envelheçam com o tempo. Mas super recomendo!

5 – Me Chame pelo Seu Nome – André Aciman

‘É a primeira lembrança que tenho dele, e parece que ainda hoje consigo ouvi-lo. Até depois! Fecho os olhos e estou de volta à Itália, observando-o sair do táxi com uma camisa azul esvoaçante, óculos escuros, muita pele à mostra’. Eu ainda estou impactado com esse livro do André Aciman. Nada mexia tanto comigo desde ‘Travessuras da Menina Má’ e ‘Precisamos Falar Sobre o Kevin’. Que história mais sensível, quente e incrível. Oliver e Elio, um descobrindo no corpo e na alma do outro todas as nuances de um amor potente, entre dois iguais, no interior da Itália. As sentimentalidades escondidas querendo explodir; as descobertas sexuais; os altos e baixos de um coração confuso; o amor tímido; os diálogos de dois apaixonados; a viagem para Roma; tudo isso fez de ‘Me Chame Pelo Seu Nome’ um dos livros mais lindos que já li. Está no meu Top 3, sem dúvida alguma. É uma obra delicada, mas sem ser clichê. Retrata lindamente o primeiro amor na vida de um gay: as dúvidas, os medos, as angústias, os sentimentos ditos nos gestos mais sutis, como o pé de um enterrado no pé do outro por baixo da mesa, absolutamente tudo, ilustração fiel do que um dia já vivemos ou ainda vamos viver. ‘Você vai me matar se parar’. Leiam, vocês não vão se arrepender!

LIVRO BÔNUS

Empreendedorismo para Subversivos – Facundo Guerra

Embora Facundo Guerra afirme que empreender seja uma ciência inexata, uma arte, um caminho e que cada um deve, sim, escrever sua história à sua maneira, o livro ‘Empreendedorismo para Subversivos’ abre a nossa mente para esse universo e desconstrói muito do que se propaga acerca de um empreendedor. Alguns dos aprendizados que levo pra vida depois dessa leitura são esses:

– O empreendedor sabe que existem outras grandezas além do dinheiro. O empresário nem suspeita disso;

– Não se posicionar sobre causas controversas pode ser o beijo da morte de uma marca. O discurso ‘nossas marcas não se posicionam politicamente’ não cola mais. Hoje os consumidores entendem que as corporações são grandes articuladoras de energias diversas e, sim, muitas vezes têm maior capacidade de mudar o seu entorno do que governos;

– Tenha um propósito: a razão que te faz empreender. Se fizer isso só para ser rico, suas chances são diminutas. Produza com propósito: para aumentar seu capital social, sua vaidade, busca por excelência, ego ou sentimento de grandeza, reputação, curiosidade, enfim, a lista é enorme!

– Empreenda no intuito de resolver um problema. Concentre seu foco e sua energia para solucionar um problema legítimo e não somente para desenvolver um alto grau de inovação por puro fetiche, como no refinar de um produto que não precisava, no final das contas, de refinamento algum;

– Saiba quando parar. Seu negócio foi criado com uma narrativa e qualquer narrativa precisa de um fim. Não acredite que seu negócio durará para sempre porque não vai durar. Seja maduro e planeje até onde ele pode ir.

Se você quiser acompanhar as minhas leituras, siga o Cacos Metafóricos também. Até o próximo post!

4 livros para entender Marketing e Comunicação Digital

Indicar literatura sobre comunicação digital é sempre um desafio. Com a velocidade que as dinâmicas e os processos se modificam nas redes sociais, as chances de o conteúdo do livro se defasar são muito altas. Mas estas obras seguem resistentes ao tempo e contribuindo muito para a construção da sua marca na Internet. Vale muito a pena lê-las! E, se possível, leiam, preferencialmente, na ordem abaixo.

A MARCA PÓS-MODERNA
Andrea Semprini

Li esse livro pela primeira vez em 2009, em meio ao desespero de se parir um TCC. E ele salvou minha vida. Andrea Semprini foi quem abriu meus olhos pra tudo que eu reconheceria na prática e no mercado anos mais tarde. Mesmo desconhecendo a importância da comunicação digital que aumentaria consideravelmente dali a alguns anos, o autor já falava sobre algo essencial a qualquer marca atual: bom discurso. Num mercado em que produtos se assemelham cada vez mais, você só se diferencia pelos seus discursos, pelos valores que você sustenta e pela imagem que você impregna na mente dos seus consumidores. Esse discurso, ele chama de ‘Mundo Possível’. Semprini acredita que quanto maior for a sua capacidade de desenvolver mundos possíveis sólidos e coerentes na sua comunicação, maior é a possibilidade de você estreitar laços e se tornar indispensável na vida dos seus consumidores.

MARKETING 4.0
Philip Kotler

Nesse livro, Philip Kotler fala de nós. Dos nossos anseios enquanto consumidores, seres humanos e cidadãos da internet (netzens). Vai na ferida de empresas e marcas que, ainda muito imersas no padrão antiquado de se promover, acabam por meter os pés pelas mãos ao se relacionar na contemporaneidade. Mesmo pra quem é leigo, não é um livro difícil de ler, repito: ele é sobre nós.

O autor rompe com a ideia equivocada de que o digital acabou com o tradicional: ele acredita na coexistência, no Marketing Onicanal, numa comunicação alinhada e uniforme, não focada apenas em vendas, mas, sobretudo, na conquista de seguidores apaixonados e consumidores fiéis.

MARKETING DE CONTEÚDO ÉPICO
Joe Pulizzi

‘Os seus clientes não se preocupam com você, seus produtos ou seus serviços. Eles se preocupam consigo mesmos’. Joe Pulizzi, um especialista até então desconhecido pra mim, explica os motivos que levam muitas marcas a fracassarem nas redes sociais: pautadas na preocupação única de vender seus produtos, deixam de olhar pros lados, contar histórias e produzir conteúdos que impactem de fato a vida das pessoas. Bato nessa tecla há séculos e ele, nesse livro, atesta que ganha mais visibilidade, notoriedade e engajamento quem usa a Internet para produzir conteúdos relevantes e pertinentes, só assim se consegue destaque em meio a multidão. Embora alguns pouquíssimos conceitos tenham envelhecido com o tempo, é uma ótima leitura. Recomendo!

EMPREENDEDORISMO PARA SUBVERSIVOS
Facundo Guerra

Embora Facundo Guerra afirme que empreender seja uma ciência inexata, uma arte, um caminho e que cada um deve, sim, escrever a sua história à sua maneira, o livro ‘Empreendedorismo para Subversivos’ abre a nossa mente para esse universo e desconstrói muito do que se propaga acerca de um empreendedor. Alguns dos aprendizados que levo pra vida depois dessa leitura são esses:

– O empreendedor sabe que existem outras grandezas além do dinheiro. O empresário nem suspeita disso;

– Não se posicionar sobre causas controversas pode ser o beijo da morte de uma marca. O discurso ‘minha marca não se posiciona politicamente’ não cola mais. Hoje os consumidores entendem que as corporações são grandes articuladoras de energias diversas e, sim, muitas vezes têm maior capacidade de mudar o seu entorno do que governos;

– Tenha um propósito: a razão que te faz empreender. Se fizer isso só para ser rico, suas chances são diminutas. Produza para aumentar seu capital social, sua vaidade, busca por excelência, ego ou sentimento de grandeza, reputação, curiosidade, enfim, a lista é enorme, mas não deixe de produzir com propósito;

– Empreenda no intuito de resolver um problema. Concentre seu foco e sua energia para solucionar um problema legítimo e não somente para desenvolver um alto grau de inovação por puro fetiche, como no refinar de um produto que não precisava, no final das contas, de refinamento algum;

– Saiba quando parar. Seu negócio foi criado com uma narrativa e qualquer narrativa precisa de um fim. Não acredite que seu negócio durará para sempre porque não vai durar. Seja maduro e planeje até onde ele pode ir.

 

Para mais dicas sobre literatura, siga @cacosmetaforicos.

Propósito, Problema e Política nas Redes Sociais

Propósito, Problema e Política. Três forças que o empresário e autor do livro ‘Empreendedorismo para Subversivos’, Facundo Guerra, diz serem fundamentais para o empreendedorismo atual e que também contribuem consideravelmente para que as marcas desenvolvam bons relacionamentos nas redes sociais. Tomei a liberdade de flertar com os pensamentos do autor e dei uma adaptada, trazendo um pouco mais para realidade digital, embora ele já faça isso muito bem no livro.

PROPÓSITO

O que te move? O que te faz iniciar um trabalho nas redes sociais? Se me falas que o interesse é somente ganhar mais seguidores e/ou gerar vendas, tua marca dificilmente vai ser vista. Tem muita gente já limitando a visão do seu negócio dessa forma na web. E as pessoas seguem querendo muito mais das empresas. Antes de fazer qualquer postagem, pergunte-se ‘qual a missão da minha marca na Internet? Qual a missão dos meus conteúdos? Que impacto eles terão na vida das pessoas, eu ganhando menos ou mais dinheiro?’. Saia do protagonismo e passe a pensar um pouco mais em quem vai te ler, te seguir, te consumir. E jamais pense em limitar os benefícios do teu conteúdo a apenas quem vai COMPRAR teu produto ou serviço. Pelo contrário, democratize, compartilhe, ofereça uma informação/experiência valiosa sem pedir nada em troca. Dessa forma, vais conquistar um público engajado e apaixonado pela tua marca. Teu público não sabe escolher abacate no mercado, ensine! Ele não sabe onde se emite documentos, mostre o caminho. Não sabe como começar um canal no youtube, grave um tutorial. Seja indispensável. ‘Mas em conteúdos assim, meu produto não aparece’, então que tal parar de só pensar no próprio umbigo? Rede Social é muito mais sobre o outro do que sobre a gente.

O youtuber Rodrigo Bittencourt compartilha dicas para quem quer produzir bons conteúdos nas redes sociais

O alerta da Prefeitura de Recife sobre a necessidade de se fazer mamografia

No canal da Quem Disse Berenice? vídeos úteis aos seus consumidores

As instruções do Imetro Pará para que as pessoas saibam se o produto comprado é legal ou não

PROBLEMA

O teu conteúdo é mais do mesmo ou ele, de fato, faz a diferença na vida de alguém? E se ele sumisse hoje, alguém sentiria falta? Se não, reveja as suas estratégias. Assim como o seu produto, o seu conteúdo nas redes também deve ser útil, deve gerar algum benefício pra quem o consome. Portanto, a cada post: seja útil, não só ao teu ego e à tua renda, seja útil ao outro. Transforme a vida de quem te lê, ofereça uma informação preciosa que ela não teria se não te seguisse. Faça rir quem está triste. Inspire o desanimado. Eduque o desinformado. Inspire! Seja didático, empático, dê atenção. Descubra quais são os principais problemas dos seus seguidores nas redes e tenha como objetivo de vida resolvê-los.

Eduque o desinformado como essa dica do CSJT no Facebook

Seja didático como esse post da doceria Doux du Jour

Faça alguém rir como os vídeos da Tia Paula

POLÍTICA

Tome partido! Pense na política de modo mais amplo, como algo em prol do bem coletivo e levante suas bandeiras. Se antes, as marcas priorizavam uma comunicação genérica, de baixo risco, consensual, para não entrarem em ‘zonas de risco’, hoje é exatamente isso que os teus consumidores esperam de ti. Que tens um produto incrível, isso eu já sei. Mas se pra ele existir, tu testas em animais, prejudicas o meio ambiente ou escravizas pessoas, teu produto não serve pra mim! Hoje as pessoas esperam discursos muito mais profundos das marcas, que vão além das propagandas que descrevem características de produtos e serviços. Se você e o seu empreendimento acreditam no valor da mulher, são contra a homofobia e abominam toda e qualquer discriminação racial, fale isso, grite isso, sobretudo, nas redes sociais. ‘Mas agindo assim eu não posso afastar possíveis clientes?’ Sim, mas um cliente que não dialoga com os teus valores vai realmente te fazer falta? Acho que não, hein?! Posicione-se. Facundo diz que as pessoas hoje, desacreditadas de governos, buscam nas marcas reverberação e aval para suas lutas, porque entendem que CONSUMIR é, sim, um ato político. Essas pessoas sabem em que tu acreditas ou continuas aí te escondendo?

Bom planejamento pra ti!

A Vick, no Dia dos Namorados de 2017, falou sobre um assunto ‘delicado’ para muita gente e que algumas marcas ainda evitam falar: diversidade. O resultado ficou incrível! Emocionante, né?!

A política da The Body Shop é em defesa dos animais

Campanha linda de algumas empresas em prol da causa gay durante a Parada LGBTQ+ 2018

O protagonismo indígena nas redes da Ovelha Negra

O feminismo nas ações on e off do Parque Shopping Belém